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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Circo Brasil (Humor)



O Político morre e vai para o céu. 

Chegando lá, Deus diz:
- Olá meu amigo, bem-vindo ao Céu! Por incrível que pareça você está na lista para entrar no céu, mas como você foi político na Terra temos um procedimento extra antes de você entrar. É o seguinte: você vai poder passar 24hs aqui no céu e logo depois, vai passar 24hs no inferno. Aí então você poderá decidir onde quer ficar.
O político achou muito bom, passeou pelo céu e viu um monte de jardins cheios de anjos e nuvens, música celestial, uma paz incrível, e ficou impressionado. Logo depois disto pegou um elevador e foi conhecer o inferno. Chegando lá o Capeta o recebeu em pessoa:
- Olá meu amigo... Seja bem vindo ao Inferno! Aqui você vai ser tratado como um rei! Poderá comer e beber de tudo que quiser, a qualquer hora, e é tudo grátis! Temos as mais bonitas mulheres, os melhores carros, tudo do bom e do melhor, e tudo aqui é seu também. Pode ficar a vontade e aproveitar tudo o que você quiser! 
O político ficou pasmo. O inferno era realmente tentador. Depois de 24hs ele voltou ao céu para falar com Deus e comunicar sua decisão:
- Deus, eu agradeço muito a sua gentileza de me convidar para entrar no céu, mas para ser sincero, depois que eu conheci o inferno e fui tão bem recebido pelo capeta que devo dizer que minha decisão final é ir morar no inferno mesmo! Você nem imagina como é lá!
- Tudo bem, seu político, a decisão é sua, e devo respeitar!!!
Dizendo isto, São Pedro colocou o político de volta no elevador e o mandou de volta para o Inferno. Quando o político chegou lá, ele entrou e viu um lugar terrível! Um lixão, que cheirava muito mal, um monte de gente gritando e sofrendo, tudo de pior que ele já havia imaginado que pudesse existir e muito mais. Então ele procurou o capeta e perguntou:
- Seu capeta, ontem mesmo eu vim aqui e você me mostrou um lugar incrível onde eu ia morar e aproveitar o resto da minha vida!? Cadê aquele lugar maravilhoso? O que aconteceu? Não estou entendendo!
- Ah, seu político... É que ontem a gente queria o seu voto, e hoje nós já ganhamos a eleição!"

Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010


Não discriminamos ninguém...só queremos mostrar o que está acontecendo no Brasil....post Jaqueline Leal

Da Independência (Poesia)



da Independência

Oliveira Ribeiro Netto


O português veio de longe, de terras de além-mar,
e trouxe uma cruz de sangue nas velas cor de luar.
Ele era velho, mas tinha a alma forte,
e várias vezes afrontara a morte
nas incursões dos mouros pelo seu pais.
Tinha no sangue a nobreza dos cavaleiros d’EL Rei Don Luiz.

O acaso o trouxe num veleiro,
e ele viu que sob a proteção doirada do cruzeiro
uma cabocla vivia entre a folhagem,
livre como o vento ou como o jaguar selvagem
nas suas correrias pelo campo em fora,
coroada de penas de tucano cor de aurora,
os membros de bronze banhados de luz.
E ele via que a forca do seu arcabuz
era maior que a da flecha emplumada da aljava,
e pos nos punhos morenos algemas de escrava.
E a cabocla, ao toque do boré,
nas noites de luar não pode mais dançar a puracé,
e nem correr pelos bosques bravios,
nem investir contra a fúria dos rios
na piroga que ela governava.
O Branco dissera: Tu és minha escrava!
E o eco afirmara : escrava… escrava. . ..

Para o português eram os melhores frutos que colhia,
as pepitas de ouro que ela descobria,
toneladas sangrentas de pau-brasil,
diamantes de luz e safiras de anil.
Para ele a beleza, a força, a agilidade:
A velhice dominando a mocidade.

Mas com o tempo nos músculos de bronze cresceu a resistência,
quebraram-se as cadeiras, raiara a independência!
A índia era livre, as terras de norte a sul
eram dela! A Guanabara azul,
os lençóis verdes dos pampas,
os cafezais paulistas, as rampas
recheadas de ouro das serras mineiras,
as praias do norte eriçadas de palmeiras,
ondulações verdes de canaviais,
quilômetros e quilômetros de cúpulas verde-amarelas de ipês e seringais,

alvoradas vermelhas, tardes cheirando a flor,
tudo era dela! A Liberdade!
O seu primeiro anseio de nacionalidade,
a Liberdade, o seu primeiro amor!

( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge – 1a ed. 1948 )
post Marcello Reis