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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO-NÃO FAZ SENTIDO O RUMO QUE AS COISAS ESTÃO TOMANDO...


A juventude está apática, contenta-se com o que tem e segue a lei do Gerson "você também gosta de levar vantagem em tudo, certo? " A maioria só pensa em internet, baladas, drogas, roupas de marcas, celulares cada vez mais sofisticados, sexo livre e rock e que eles estão totalmente alheios a realidade que os rodeiam.
Entretanto, ainda há alguns jovens, que se preocupam com aspectos essenciais na sociedade, tais como: educação, saúde e segurança.
Quando o jovem fala destes assuntos, da sua maneira digamos “original” de expressar-se, toca numa questão que considero fundamental: a educação.
Um dia destes estava assistindo a TV Senado ( que ninguém nunca assiste, mas que deveria) um programa sobre a educação, no qual os participantes eram especialistas e ouvi estupefacta, um parlamentar dizer que os recursos destinados à educação ou eram mal empregados ou eram desviados. No caso não é uma ou outra coisa, são as duas juntas, são desviados e mal empregados.
Como educadora já tive a oportunidade de observar como os recursos são gastos quando chegam a escola. Primeiramente, para estes recursos chegarem à escola, é necessário que haja um longo planejamento do Conselho Escolar, para justificar onde será gasto o dinheiro e mesmo assim a escola não tem autonomia para gastar a pouca verba que lhe é destinada com as próprias necessidades. Tudo o que se vai adquirir, tem que estar inserido numa listagem permitida pelas Secretarias de Educação. Estes recursos quando chegam à escola, chegam já no decorrer do ano letivo e a escola muitas vezes tem que organizar campanhas para poder manter-se aberta.
Falar de autonomia na Escola é apenas uma manobra política eleitoreira. Quando o processo escolar não atinge o patamar adequado, ou seja há um elevado índice de reprovação, a escola é que tem de usar “certos” recursos para facilitar a promoção dos alunos e evitar a repetência e a evasão. Isso para garantir boa imagem nas estatísticas nacionais e internacionais, porque se estas estatísticas ficarem aquém, as verbas podem ser cortadas e o governo não receberá recursos para investir na educação.
No âmbito escolar há alguns instrumentos para manter o aluno dentro da escola, um deles é a parceira entre a instituição de ensino e Juizado da Infância e Adolescência,  através do Conselho Tutelar, que controla e fiscaliza se os alunos estão frequentando as aulas e aproveitamento adequado, interfere em casos de violência e promovem debates e palestras sobre a importância da atuação e presença dos pais. O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente deixa bem claro, na maioria dos seus artigos que a educação da criança e do adolescente é responsabilidade os pais ou responsáveis e do Estado.
O outro instrumento inventado pelo Estado é o Bolsa-Escola/ Família ( que todos conhecem) esta é uma forma de pagar aos pais pela permanência dos filhos na escola. Por um lado é uma boa saída para as famílias realmente carentes, mas por outro lado, há  dois fatores que contribuem para que seja mal distribuído e mal fiscalizado. Um dos fatores é o fato das famílias que recebem este benefício, se acomodam e não procuram buscar pelas próprias mãos os meios para garantir a sua subsistência, outro é que o recurso é distribuído através de um cadastro feito pelas prefeituras, o qual muitas vezes, por “compadrios” beneficiam famílias que não necessitam deste recurso.
Na verdade, é essencial uma reestruturação profunda na educação, nos programas de ensino e na distribuição legal e real dos recursos, para que atendam as necessidades básicas de cada escola.
A reestruturação da escola deve começar no seio da comunidade, com programas que atendem um paradigma nacional, mas que dêem prioridade às efetivas necessidades da comunidade. É um processo demorado, lento e difícil. Na elaboração destes programas é extremamente necessário identificar e levar em conta o aspecto social, psicológio, cultural e económico da região, desenvolver parcerias e construir um modelo baseado na ética, nos valores morais e no conceito de cidadania. Com um projeto desta envergadura em que haja prioridade dos aspectos identificados acima, principalmente em cidades pequenas, é possível manter as pessoas em sua própria comunidade, na tentativa de extinção do êxodo.
Neste caso especificamente, o modelo de ensino deve centrar-se na alfabetização de crianças, jovens e principalmente adultos. Segundo o INEP- Instituto Educacional de Estudo e Pesquisas Anísio Teixeira,  o  Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais 30 milhões de analfabetos funcionais, conceito que define as pessoas com menos de 4 anos de estudo. Além de apresentar e analisar estes dados gerais, o estudo detalha a situação do analfabetismo, apresentando informações por faixa etária, género, raça, localização ( rural e urbana) e renda domicilar.
Ora, se anos após anos vemos os arautos políticos anunciarem em alto e bom som, que estão investindo “zilhões” na educação, aparelhando as escolas com novas tecnologias, capacitando professores, distribuindo gratuitamente os livros escolares ( que se e quando chegam já estão no meio do ano letivo e não suprem as necessidades), como este alto índice de analfabetos se justifica?
Voltamos ao ponto inicial, as verbas estão realmente sendo mal empregadas e desviadas .

Post Jaqueline Leal
Professora Licenciada em Letras e Ex- diretora de Colégio Estadual.

Fontes: