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quinta-feira, 21 de junho de 2012

A CARTA DE MARTHA PANNUNZIO, À DILMA ROUSSEFF

A mãe do jornalista Fábio Pannunzio, escreveu uma carta endereçada à presidANTA em maio passado, sei que ela é extensa, mas precisa ser lida por todos os Brasileiros de BEM, que combatem o MAL que tomou conta de nosso país.


A carta:

Bom dia, dona Dilma!

Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó,
pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública mineira e em
cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO.

Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista?
Faça-me o favor, senhora presidentA! É preciso que o Brasil crie um
mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos
seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para
que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.

Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos
entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o
convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza,
reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para “engordar”
sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo
para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem
dúvida, um plano qüinqüenal engenhoso de estímulo à vagabundagem,
claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.

É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer
gracinha, jogar para a platéia. É fácil e é um sintoma evidente de que
se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.

Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora.
Sou bastante madura, bastante politizada, marxista, sobrevivente da
ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem
votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT
é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no
mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do “quanto pior, melhor”.
São discricionários, praticantes do “bullying” mais indecente da
História do Brasil.

Em 1988 a Assembléia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço
espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e
moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a
lei*. Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição,
enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu
modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei,
menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das
bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro
é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que
vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras,
colocaram-nos no tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram
com ferro quente, para não deixar dúvida de que são mal-nascidos. Não
fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza,
publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou
num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de
qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação.
Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter sido
fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual,
empresarial, cultural e política do País. A Câmara Federal endoidou?
O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual
presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma
escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse
que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma? Oi,
por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!

Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País
empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores bem
remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes, é disto
que o Brasil precisa. Para ontem. De ensino técnico,
profissionalizante. Para ontem. Nossa grade curricular é tão
superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do ensino médio
incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal
de um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe
regra de três. Não sabe calcular juros. Não sabe o nome dos Estados
nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar o ferro de passar
roupa. Não é capaz de fritar um ovo. O estudante e a estudantA
brasileiros só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar
bomba, o que é mais triste. Nossos meninos e jovens lêem (quando
lêem), mas não compreendem o que leram. Estamos na rabeira do mundo,
dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque domino
o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública
mineira, por opção política e ideológica, apesar da humilhação a que
Minas submete seus professores. A educação de Minas é uma vergonha, a
senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque
confirma o que estou informando.

Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se
anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento
familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma
escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu
ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio
Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e
fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel
Brizola. Convide o senador Cristóvam Buarque para um café-amigo, mesmo
que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.

A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola
em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as
camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições
diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente.
Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado,
sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos alunos
e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis,
para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em
instalações individuais para um máximo de quinhentos alunos por
prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa. De zero a
dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula
dá pra chegar num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a
educação pública com responsabilidade e resultado. Enquanto os
finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles
permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende
do ponto de vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É
investimento. E tem que ser feita por qualquer gestor minimamente
sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha mais, consome
mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para
as burras dos governos. Vale à pena investir mais em educação do que
em caridade, pelo menos assim penso eu, materialista convicta.

Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar
não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida
capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma
medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela.
Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro
de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do
Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao SUS. Eu, vereadora à
época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade,
apenas para a senhora saber com quem está falando.

Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo
sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida
é para que não lhe falte discernimento, saúde nem coragem para
empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada
é o seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim,
precisado de muito amadurecimento e aprendizado. O planeta terra é
muito mais importante do que o lucro do agronegócio e a histeria da
reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo. Sou fazendeira e
ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a
sensatez. Deixe o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não
dói e eles estão em Brasília, bem instalados e bem remunerados, para
isto mesmo. E acautele-se durante o processo eleitoral que se
aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar
seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é
“os outros”. A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para
ser a presidentA do Brasil, e não a presidentA de um partidinho de
aluguel, qualquer.

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro.
Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães
excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe
média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por
quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto com os
homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos,
sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo
tendencioso, refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.

A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários
da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar
qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o
benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa,
BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda
tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem
qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar nenhum.
E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda institucional feita
incessantemente pelo governo petista na última década, o Brasil está
na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada, que
entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis,
se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e
brasileiras vão ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na
ociosidade que os levará à delinqüência e às drogas.

Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que
eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar da
pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter lutado
a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares de
alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes
ainda está na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a
obrigação de votar e o direito de votar e ser votado, mas gostou da
sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social,
desprecisada e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um
lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade,
mas com um título de eleitor na mão, pronto para depositar um voto na
urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar
o peixe, ao invés de ensinar a pescar, esta foi a escolha de vocês.

A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu
pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de
crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista,
burro-de-carga brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta e o
dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça dos
miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense
bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o
bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais.
Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou
niente? Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil
miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo
de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do
BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de
dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada de
capital. Democracia é isto, minha cara. Transparência. Não ofende.
Não dói.

Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE. Não sou
impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim,
francês e português. Por favor, corrija esta informação.

Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na
Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora nunca
saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então vai pela internet.
Com pessoas públicas a gente fala publicamente para que alguém,
ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.

Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda.
R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem tem em casa uma
criança de zero a seis anos, é uma esmolinha bem insignificante, bem
insultuosa, não é não, dona Dilma? Carinho de presidentA da república
do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma campanha institucional
a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já produziu dois filhos.
É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em
tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da
sala de aula, do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino
profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.

Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da
corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não.
Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais grave, que é um
desvio de conduta de líderes políticos desonestos, chamado populismo,
utilizado para destruir a dignidade da massa ignara. Aliciar as
classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente
desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos,
excluídos? Os miseráveis são. Mas votam, como qualquer cidadão
produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.

A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social.
Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a
população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando
oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas,
a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de
estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!

Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da
minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia para
sustentar a máquina extraviada do governo petista.

Último lembrete: a pobreza é uma conseqüência da esmola. Corta a
esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.

Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de
protestar, sabe por quê? Porque, de cada delírio seu, quem paga a
conta sou eu.

Atenciosamente,

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio

Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012

Por: Bruno Toscano

5 comentários:

João Pedro Arsani disse...

Tempos bom para ser revoltados!

Marta disse...

NO BRASIL DA FOME, A NOTA É ZERO NOS QUESITOS DE BASE. A SUSTENTAÇÃO DA FORMAÇÃO PARA A FUTURA SOCIEDADE ALMEJADA POR TODOS, NÃO EXISTE. OS BRASILEIROS POR VÁRIAS DÉCADAS "PERDIDAS" CHACOALHAM EM PÉ E AMASSADOS NOS TRANSPORTES DE PÉSSIMAS CONDIÇÕES PARA IR E VIR DO TRABALHO POR HORAS A FIO. NESSE TEMPO PODERIAM ESTAR NAS SALAS DE AULA EM CURSOS DE RECICLAGEM, ETC... POREM A PERDA É PARA AMBOS : CIDADÃO E O PAÍS!
SEM EDUCAÇÃO DE BASE SÓLIDA "O PAÍS PARECE O CACHORRO QUE CORRE ATRÁS DO RABO!"
ACORDA POVO BRASILEIRO!!

Dirck Stone disse...

É característica do fel não ter consistência. Tanto vômito, por nada. Dona Panunzio...
Suas sugestões talvez possam salvar a Espanha, a Itália, Grécia, Portugal, a Europa quem sabe?!

Lalá disse...

"No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a
lei*"

receio que não haja legenda para o asterisco em questão

Felipe Lopes disse...

Quem fala mal da carta está no seu direito, é livre para manifestar sua opinião, agora quem acha que uma manifestação é pouco, por que se deu ao trabalho de fazer a sua então? Qual o sentido? Falar é muito mais fácil do que fazer não é mesmo? Bote no google o nome da professora Martha e procure todos os projetos sociais e educativos que a professora mantém com um belo sorriso e muito altruísmo. Já foram recebidas por ela milhares de crianças para atividades culturais, leitura, aulas e contação de histórias